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Uma vida inteira dedicada à família, à terra e à história de Cunha Porã

Aos 86 anos, Alfredo Matias Walker deixa um legado construído ao longo de décadas na Linha Araçazinho, onde nasceu, criou sua família e ajudou a escrever a história da colonização do município

12/08/2026 09:02

Alfredo Walker-convertido
Fotos: Arquivo Pessoal

A despedida de Alfredo Matias Walker, aos 86 anos, representa não apenas a partida de um homem, mas também o encerramento de um capítulo importante da história de uma família que ajudou a construir as raízes de Cunha Porã.

Nascido em 2 de julho de 1940, Alfredo nasceu e cresceu na Linha Araçazinho, onde permaneceu durante toda a vida. Filho de um dos pioneiros que chegaram à região vindos do Rio Grande do Sul, em 1927, ele cresceu ouvindo e preservando as histórias de um tempo em que tudo ainda era mato, os deslocamentos eram feitos a cavalo ou de carroça e a vida era construída com muito trabalho e simplicidade.

Muitas dessas lembranças eram contadas pelo próprio Alfredo, que gostava de relembrar as histórias vividas ao lado do pai, Francisco José Walker. Entre as recordações estava a época em que pai e filho viajavam de Cunha Porã até Joaçaba, de cavalo e carroça, levando produtos como banha e couro para trocar por tecidos, sal e outros itens necessários para a família.

Uma vida construída em família

Casado com dona Annita Sperp, Alfredo construiu sua família e dedicou a vida à agricultura. Teve três filhos, sendo que um deles já é falecido, além de um genro e uma nora. Ao longo dos anos, viu a família crescer com a chegada dos netos e bisnetos.

Foram sete netos, dos quais um também já faleceu, e cinco bisnetos. A família ainda aguarda a chegada de mais uma bisneta, que receberá o nome de Letícia.

A casa de Alfredo sempre foi muito mais do que um lar. Era um ponto de encontro da família, especialmente quando irmãos, sobrinhos e outros familiares chegavam de diferentes cidades e até de outros estados. Era ali que as histórias eram compartilhadas, as lembranças revisitadas e os laços familiares fortalecidos.

E histórias não faltavam.

Na casa de Alfredo, era comum ouvir relatos de pescarias, caçadas e encontros com onças, histórias que pertencem a uma geração que viveu de perto as transformações do interior e acompanhou o crescimento de uma comunidade que, aos poucos, se tornou município.

Guardião das memórias dos pioneiros

Alfredo também foi testemunha e participante da transformação de Cunha Porã. Criado na agricultura, ajudou a sustentar e desenvolver sua família por meio do trabalho na terra e acompanhou de perto o crescimento do município.

Por sua trajetória e pela história de sua família, em vida, Alfredo recebeu, em nome da família Walker, uma homenagem relacionada à colonização de Cunha Porã — reconhecimento que simbolizou a importância de seus antepassados e de sua contribuição para a construção da comunidade.

Ele nunca morou em outro município. Sua história esteve sempre ligada à Linha Araçazinho, às terras onde nasceu e cresceu e às pessoas que fizeram parte de sua caminhada.

Um último sonho realizado

Depois de uma vida inteira no interior, Alfredo realizou, há cerca de um mês, um sonho: morar na cidade.

Organizou tudo, preparou sua mudança e iniciou uma nova etapa ao lado da família. Mas o tempo dessa nova vida seria breve.

Agora, Alfredo parte deixando para trás uma história que permanece viva nas lembranças de quem conviveu com ele — nas histórias de pescaria e caçada, nos churrascos em família, nas conversas sobre os tempos antigos, nas lembranças do pai e dos primeiros anos da colonização.

Sua trajetória se mistura à própria história da comunidade onde nasceu e viveu.

Alfredo Matias Walker deixa filhos, netos, bisnetos, familiares e amigos, mas, sobretudo, deixa um legado que não se apaga: o de um homem que viveu toda a sua vida no lugar que amava, ajudou a construir sua comunidade e fez da família o seu maior patrimônio.

A saudade, agora, é imensa. Mas também permanece a gratidão por uma vida de 86 anos repleta de histórias, trabalho, encontros e memórias que continuarão sendo contadas pelas próximas gerações.

Velório e sepultamento

O corpo de Alfredo Matias Walker será velado na Capela da Funerária Bom Jesus.

O sepultamento ocorrerá às 10h, no Cemitério Evangélico da Linha Araçazinho, em Cunha Porã (SC).

Aos familiares e amigos enlutados, nossas sinceras condolências.

Fonte: Liane Manorov Dietrich | Oeste SC Notícias

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