Região

Abatedouro clandestino é fechado pela Cidasc e Polícia Militar Ambiental em Cunha Porã

O fato ocorreu na manhã de ontem, no interior do município

Foto: Polícia Militar Ambiental

Através de denúncia, a Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina), departamento regional de Chapecó, representado pelas Unidades Veterinárias Locais de Cunha Porã e Maravilha, com o apoio da Polícia Militar Ambiental de São Miguel do Oeste e a Polícia Militar de Cunha Porã, estiveram em vistoria na manhã da quinta-feira (26), em um Abatedouro clandestino próximo a BR-282, no interior de Cunha Porã. A operação resultou na apreensão de carnes impróprias para consumo e apreensão de animais que eram criados no local e serviriam para abate e posterior venda das carnes e embutidos.

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Assim que chegado, foi verificado que o local apresentava estrutura compatível com um abatedouro, equipamentos, câmaras frias, salas de corte e desossa e local para preparo de embutidos como salames. Em uma das câmaras frias estava acondicionado carne de um suíno que provavelmente havia sido abatido no dia anterior, outra câmara fria estava preparada para acondicionar a carne bovina que estava sendo abatina no momento da chegada das autoridades. Além, de mais um bovino que estava sendo preparado para abate ainda no dia. Foram constatadas diversas irregularidades com GTA (Guia de Transporte Animal) e os brincos de identificação dos animais que estavam no local.

Quando o proprietário foi questionado sobre a origem das carnes e dos animais, o mesmo afirmou que prestava serviço de abate aos vizinhos da redondeza, confirmando assim uma troca de favores e compensação.

Criação proibida de Javaporco e Javalis

Segundo informações repassadas pelo Médico Veterinário do Serviço de Inspeção Estadual da Cidasc Departamento Regional de Chapecó, Jamil Correia Junior, no local também foi encontrado uma grande criação de suínos com a finalidade de abate para posterior venda da carne. “Foi encontrado aproximadamente 150 suínos que estavam alojados em um chiqueirão, com a finalidade de engorda para posterior abate e comercialização da carne. Outra irregularidade encontrada, foi a criação de javalis, sendo que essa prática é proibida, e também animais misturados, conhecidos como javaporco. Não é proibido a criação de suínos no interior, mas foi encontrado irregularidades junto a criação. Os animais eram alimentados com restos de alimentos de restaurantes e carcaças dos próprios animais abatidos no local. O mais grave é alimentar animais com restos de proteína animal, pois essa prática pode ocasionar o surgimento da Peste Suína Clássica (PSC) e da Peste Suína Africana (PSA). Não é uma doença que cause prejuízo a saúde humana, mas o vírus pode acometer suídeos domésticos e selvagens. No local não foi encontrado indícios da doença, mas essa prática pode levar ao surgimento de doenças graves”, enfatiza Jamil Junior.

As carnes encontradas no local foram descartadas em um aterro próprio para esse fim. Já os animais vivos vão ser destinados para abate sanitário em um abatedouro certificado com o devido acompanhamento e fiscalização na cidade de Chapecó. Segundo a Portaria nº 015/00/SDA, de 27 de abril de 2000, emitido através da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura, é proibida a criação de bovinos, bubalinos suínos caprinos e ovinos com restos de alimentos de restantes e afins. Os animais e alimentos encontrados nestas condições serão apreendidos, sacrificados e ou destruídos sanitariamente, não cabendo indenização ao proprietário.

Carne abatida de forma irregular, teve que ser descartada

O proprietário foi autuado pela Cidasc pois no local não havia os devidos cuidados sanitários de higiene que um abatedouro requer, falta de estrutura física compatível com um abatedouro, não havia inspeção sanitária por ausência de um Médico Veterinário e por estar fazendo os abates de forma clandestina, além do trânsito irregular dos animais e estocagem de carne sem inspeção. A Polícia Militar Ambiental também autuou o proprietário pela contaminação ambiental, pois as carcaças e o sangue gerado pelo abate não tinham o correto destino e o mesmo estava sem a devida Licença Ambiental para atuar como abatedouro.

Jamil Correia Junior alerta para que qualquer pessoa que queira fazer abate de animais, tanto para vizinhos como para venda no varejo, deve estar vinculada ao serviço de inspeção Municipal, Estadual ou Federal. A presença do Médico Veterinário dentro do estabelecimento de abatedouro é vital para a saúde e qualidade do produto final, uma vez que ele realiza a inspeção dos animais para detectar sinais clínicos e lesões de doença. O profissional realiza, ainda, todo o controle higiênico das operações dentro da indústria. Todo esse cuidado é para evitar que as zoonoses que podem estar presentes, sejam transmitidas entre animais e humanos.

Montanha de ossos que foram dados aos suínos, durante muitos anos

Alerta 

Da mesma forma a brincagem dos animais deve passar pelo Cidasc, pois há a necessidade de haver o controle do trânsito dos animais e seu destino. “Da mesma forma, Santa Catarina busca manter o Estado livre da Febre Aftosa e o vírus PSC, assim como manter o Estado livre de doenças suínas como o PSA e de doenças bovinos como a brucelose e a tuberculose”, alerta Jamil Junior.

Outro alerta emitido pela Cidasc é em relação aos prejuízos causados pelo consumo de produtos de origem animal clandestinos. O consumidor é o mais prejudicado, uma vez que os alimentos de origem animal são passíveis de contaminações durante todas as fases da produção. O trabalho da inspeção é para garantir a segurança dos alimentos promovendo a saúde pública.

Fonte: Oeste SC Notícias | Fotos: Cidasc/Polícia Milita Ambiental

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